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Recessão nos EUA

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Um dia o povo americano que não tinha crédito, e estava à beira da bancarrota, viu que os Bancos estavam dispostos a financiá-los.

Os americanos que são os mestres do conhecimento e da “expertise” viram que poderiam ganhar muito dinheiro financiando o estoque de imóveis novos e usados disponíveis em abundância nas prateleiras imobiliárias.

Os Bancos que administravam os fundos compostos por recursos dos investidores, aqueles que juntaram seu dinheirinho no decorrer da “vida produtiva”, decidiram que era melhor aplicarem em financiamento imobiliário do que no Brasil. Viva o patriotismo americano.
Para justificar a atratividade, resolveram financiar os imóveis com taxas mais atrativas, e assim repassar parte para os investidores.

Assim apareceram linhas de crédito mais facilitadas, porém, com taxas mais altas.
Todo o bom americano, uns querendo a casa própria, e outros precisando refinanciar a sua inadimplência, foram atrás destes financiamentos.
O prazo era excelente, os corretores ganharam rios de dinheiro, o estoque de imóveis desovou, o dinheiro entrou no bolso dos vendedores.

O que aconteceu depois de algum tempo:

  1. As prestações geraram um comprometimento da renda dos financiados maior do que normalmente geravam;
  2. As taxas de juros eram superiores aos índices de crescimento da renda;
  3. Os imóveis refinanciados tiveram capitalizados os valores da inadimplência acrescidos de altos encargos;
  4. Os vendedores receberam os valores e não reintroduziram na economia;
  5. A inadimplência novamente campeou, com uma diferença, agregaram-se os novos financiados, além dos que refinanciaram as suas dívidas.

Outros fatores completaram este quadro:

  1. O país enfiou um monte de dinheiro em guerras e lutas infrutíferas;
  2. Os investidores externos tradicionais enviaram os seus recursos para outros “pagos”, abandonando a Bolsa de Valores americana;
  3. Para cumprir com as necessidades internas, foi necessário aumentar a importação;
  4. A construção civil parou, em virtude do estoque imobiliário existente, gerando inúmeros desempregados;
  5. O governo teve que desembolsar muito mais para pagar o auxílio desemprego;
  6. O setor automobilístico se viu invadido novamente por veículos importados melhores e mais baratos, diminuindo a produção interna, mais desemprego;
  7. O Banco Central reduziu as taxas de juros, provocando evasão de divisas;
  8. E, assim seguiu uma sucessão de equívocos, conseqüentes ao desespero dos economistas governamentais, como sempre.

Esta história norte-americana vem sendo escrita há muitos anos, com uma diferença, a pujança de poder do país cobria todos estes erros.
Somente que eles esqueceram que a economia estava globalizada, e que a China e os países emergentes estavam presentes no mercado, e outras alternativas comerciais surgiram.

Resultado: RECESSÃO
Segundo o Dicionário Aurélio:
recessão
[Do lat. Recessione.]
Substantivo feminino.
1. Ato ou efeito de tornar atrás; recuo.
2. Econ. Período de declínio na taxa de crescimento econômico, contudo menos severo do que uma depressão (7). [Cf. resseção.]

Os EUA estão experimentando uma situação altamente complexa, que é o descrédito.
Nenhum investidor olha o país com bons olhos.
A poupança interna americana caiu a índices relevantes, afetando a capacidade interna de investimento.
O dólar está altamente desvalorizado no mercado mundial.
No Brasil, o Euro está representando aproximadamente 45% mais de um dólar. Historicamente representava no máximo 30%.
Em termos dos acordos de redução de poluentes os EUA querem impor condições que não são mais aceitáveis, gerando desconforto mundial.
O acordo da ALCA fracassou nos moldes pretendidos pelo país. Atualmente, estão sendo discutidos formatos de acordos bilaterais menos vantajosos para os EUA, porém, sem demonstração de grande interesse da maioria dos países latinos.

Enfim, os EUA estão provando o amargo doce da recessão, ao mesmo tempo em que o povo aposta na mudança com a eleição de um novo Presidente, menos arrogante e prepotente, e também afinado com os valores do povo americano, o que é uma tarefa difícil.

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