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Economia 2008
Todos os anos escrevo sobre a Economia com índices e projeções. Este ano resolvi escrever com menos economês. Os índices não interessam, são menos relevantes no momento em que vivemos. Aprendemos a viver sem medo da inflação, da Balança Comercial, do dólar, etc.
Podemos nos satisfazer em planejar 2008 com crescimento médio de 5% nos custos e despesas e, no mínimo, 15% de crescimento nas vendas. Devemos trabalhar mais os nossos controles, apertar mais os custos e despesas. Planejar, planejar e planejar.
O Brasil pode ter surpreendido em 2007 os agentes econômicos (indústria, comércio e serviços), porém, não há o que comemorar, considerando o esforço governamental.
Ouvimos de todos os setores que houve crescimento de pelo menos 20% nas vendas.
Todos os países do mundo experimentaram crescimento excepcional, exceto um que outro como os Estados Unidos.
O crescimento brasileiro foi medíocre comparado com os outros países.
O nosso crescimento foi puxado pela economia mundial e pelo esforço dos empreendedores brasileiros.
Poderíamos ter nos saído muito melhor se tivéssemos investido em infra-estrutura, que é a base para o desenvolvimento econômico.
As nossas estradas geram um custo adicional de mais de 30% no valor dos fretes. A frota brasileira é velha e, a nova tem um adicional de preço em virtude da adequação as nossas estradas.
As estradas de ferro têm abrangência irrelevante do montante necessário.
O frete aéreo é absurdamente caro, em virtude do monopólio sistêmico.
O crescimento de 2007 está essencialmente pautado no crédito; adequado a capacidade de pagamento do consumidor.
Comprar uma geladeira em 36 meses, ou um automóvel em 80 meses, foi o mote do crescimento. O esforço do comércio em liberar crédito, mesmo para aqueles que em condições normais não poderiam se beneficiar foi relevante.
Nosso consumidor ainda olha se a prestação cabe no seu salário, esquecendo os encargos financeiros.
Evidente que o sistema financeiro se beneficiou, observemos em breve os resultados dos Bancos.
O Brasil continua sendo um país caro, pelo aspecto tributário.
Continuamos pagando a conta de um governo incompetente na gestão dos seus ativos.
O governo continua querendo ser o maior empregador, haja vista o número de concursos para a função pública que abriram nos últimos anos.
Os nossos governantes não aprenderam a administrar pela competência, por metas e objetivos.
Preferem inchar ainda mais a máquina administrativa, em detrimento da tributação à economia.
À pouco, li na publicação do Políbio Braga sobre o risco da falta de energia elétrica no país.
Então enviei um texto, falando dos tempos que tínhamos o PND. Alguém lembra o que é PND? A maioria não lembra, pois além de termos memória curta, aconteceu até o início da década de 90. PND é Plano ou Programa Nacional de Desenvolvimento. O PND era desenvolvido pelo Ministério do Planejamento, olhando os Municípios e Estados, identificando os recursos necessários para o desenvolvimento respectivo, respeitando as características regionais. O trabalho era desenvolvido por técnicos, e o resultado influenciava os orçamentos anuais dos Municípios, Estados e da União. O empreendedor sabia que determinada região poderia acolher o seu empreendimento, porque tinha a energia elétrica demandada. Claro, que ocorriam distorções, sempre quando os políticos de plantão influenciavam e enchiam a burra. Hoje continuam enchendo a burra, porém, não há mais planejamento. Somente para lembrar ou informar: a hidroelétrica de Itaipu foi resultado do PND.
Encerro o texto com algumas perguntas conseqüentes da constatação: Onde está o nosso PND? – Onde os empreendedores podem investir? Considerando que energia é imprescindível. – Quando vamos parar de ter governos de planos e pacotes emergenciais e de um governo somente, e sem visão de longo prazo? Porque a política de favores é mais importante do que o desenvolvimento econômico e social? O Japão planeja o país para 50 anos, será que eles estão errados?
Enfim, vamos olhar 2008.
A indústria está investindo na sua capacitação qualitativa e produtiva.
O comércio está mais bem equipado em termos financeiros para comprar melhor e obter melhor rentabilidade.
O sistema financeiro continua com excesso de liquidez e deverá continuar direcionando recursos para financiamentos de longo prazo. Esta roda precisa continuar, caso contrário o sistema financeiro não conseguirá honrar com os compromissos de remuneração assumidos com os aplicadores.
O crédito continuará sendo decisivo para o crescimento.
O mercado interno que representou quase que sozinho o consumo do que foi produzido, estará limitado. O limite é natural, ou seja, não vai comprar outra geladeira porque já comprou em 2007. Haverá ainda uma renovação pelos consumidores, em volumes próximos do que aconteceu em 2007, mas, será inferior.
A economia deverá concentrar esforços no mercado externo. Aprendemos muito sobre o assunto, e estamos prontos em todos os sentidos. Temos produtos de excelente qualidade, crédito internacional suficiente, serviços equivalentes. Temos que olhar o mercado externo sem os Estados Unidos, eles experimentarão o doce amargo da recessão. Existem outros mercados mais interessantes. Há um problema, que já aprendemos a superar, a infra-estrutura. De novo? O que podemos dizer - é a incompetência governamental de novo.
Temos uma economia sem CPMF. A CPMF é o mais flagrante caso de tributação em escala piramidal capitalizado, e de bitributação. Vamos exemplificar: quando se compra uma matéria prima, pago CPMF; processa-se este material e vende-se, se recebe o preço e paga CPMF de novo. Será que na escala não está incluído no custo o CPMF? Suponhamos somente três níveis de comercialização, o 0,38% capitalizado de um nível para outro representaria, de uma forma simplista, 1,144% de acréscimo no preço final.
Precisamos agir em todos os níveis políticos, para bloquear o aumento da carga tributária, mesmo que seja para substituir os R$ 40 Bi da CPMF. Devemos exigir: menos superávit primário, menos gastos na máquina administrativa, mais eficiência, menos CC’s, administração mais objetiva, etc.
É muito ou é pouco? Não importa, precisa ser feito.
Está cada vez mais difícil ser competitivo e crescer com esta carga tributária absurda e irracional.
Apesar de todos os defeitos e vícios governamentais, no que depender dos nossos Empresários de qualquer atividade, vamos crescer.
Pedimos a Deus que o governo não atrapalhe.
Jorge Canal Michalski
Consultor
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